Continuação da entrevista do maestro Guilherme Carvalho, da Orquestra Diego Frazão, ao blog Onda Cidadã:
Questionado sobre a relevância da Mostra Antídoto às comunidades, o maestro afirma que “o Antídoto é o sonho que todo mundo que mora, dorme e acorda na favela tem. O antídoto é o contraveneno, o sonho não tem limite”.
O maestro afirma que a música não vai transformar os problemas, mas a ‘música é o alimento do amor’, e mesmo com todos os problemas, a música altera profundamente o estado de brutalidade da vida. “Do lado de fora as coisas são boas e ruins sempre, independente de qualquer coisa. Agora, por dentro, a gente tem que criar sonhos, que são as máquinas dos homens [Célebre frase de Aristóteles]”.
O maestro se emociona ao falar da perda recente de um dos violinistas mais jovens da orquestra, Diego Frazão, de 12 anos, morto há um mês, vítima de leucemia “Para todas as pessoas que não estão diretamente envolvidas, perder uma pessoa é uma notícia trágica. Para mim, é a perda de um pedaço do meu corpo. Perder o Diego, uma pessoa para a qual eu criei expectativas, pra quem eu traçava planos, com quem eu caminhava junto, foi uma dor enorme. Mas que vida não é marcada por tragédias não é?”
A Orquestra Diego Frazão tem um repertório muito diverso, com músicas que vai desde Billie Jean, de Michael Jackson, aos 1º e 2º movimentos da Sinfonia dos Brinquedos, de Leopold Mozart e Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
“A gente pega, por exemplo, uma ‘Asa Branca’, toca essa melodia à exaustão, e retira os excessos didáticos, mais escolares, porque são pessoas de níveis muito diferentes [que tocam na Orquestra]. Assim, a gente começa a criar elementos rítmicos, acompanhamentos e melodias que se sobrepõe à principal”.
Além de ver o projeto caminhando com suas próprias pernas, com os meninos compondo e regendo, um grande sonho de Guilherme é que esse projeto seja suficientemente emotivo, de modo a conectar todos os envolvidos, para que ele continue mesmo que fosse ele fosse a terceira baixa [referindo-se ao menino Diego Frazão; e a Evandro João da Silva, coordenador de projetos sociais do Afroreggae, assassinado na madrugada de 18 de outubro de 2009, no centro do Rio de Janeiro]. “Hoje eu tenho certeza que o projeto continuaria e cresceria ainda mais”, afirma o maestro que acredita pode mesmo mudar o mundo com a sua melodia. E pode mesmo.
Por Ana Luíza Vastag











